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Editorial

 

O Sonho não acabou
e o impresso também não!

E

 andam dizendo por aí que os impressos vão acabar. Talvez, mas não vai ser no nosso turno. Podem nos chamar de birutas (pode ser que tenhamos mesmo alguns pinos a menos no córtex), ainda mais nesse verão nublado em que grandes impérios editoriais esfarelaram feito cream cracker nas pinças do caranguejo. Porém não acreditamos que a mesma tecnologia que transformou uma bolacha de vinil num download vá substituir o prazer orgânico de um revistão tipo almanaque, com look retrô, conteúdo atemporal e o alfabeto inteiro na vanguarda. As razões são inomináveis, mas vamos dar nome, sobrenome, apelido e código de barras a algumas delas: 1. O impresso é entendido pelo ser humano em sua completa dimensão visual – quando você olha para uma reportagem ou um ensaio estampados na celulose, não precisa dar scroll, nem zoom; 2. A interação sensorial com o impresso é de imersão: sentidos para muito além da visão e da audição são ativados, proporcionando um nível mais profundo de engajamento, uma experiência que extravasa a da leitura. Nesse sentido, a publicação física funciona como uma âncora, um porto seguro – tanto para a mensagem que abarca, quanto para o pensamento que estimula; 3. O Google que nos perdoe, mas é muito mais fácil, confiável e menos massificado consultar histórias, imagens e ideias específicas a partir de uma peça gráfica tangível, que não está sujeita aos ups and downs da virtualidade (quantas vezes você não se perdeu nas abas, perdeu a conexão, perdeu o fio da meada em infos desencontradas ou perdeu a paciência com os bits acelerados e pixels cada vez mais frenéticos?); 4. Na era das fake news que são capazes de tudo – até de conduzir aiatolás ao poder –, uma boa revista ainda permite que o mesmo conteúdo seja propagado sem corromper a fonte de origem – menos ruídos, mais credibilidade. Toda inovação tecnológica também cria um ambiente humano novo, por isso a internet vai continuar existindo – e evoluindo – mas sem ocupar nunca, com o perdão do trocadilho, o papel da revista; 5. Além das prejudiciais ondas eletromagnéticas que brotam das telas que cabem na palma da sua mão e fazem a gente abaixar a cabeça e esquecer da vida que passa enquanto esturricamos os neurônios, os meios digitais funcionam bem para assuntos superficiais, notícias do dia e atualizações cotidianas diversas. Mas, em se tratando de conteúdo curado/acurado, de alta qualidade, o press é imbatível. Concorda? Isto posto, também não botamos fé que as revistas mensais (que andam mais finas que um carpaccio com anorexia), tocadas por grandes corporações que precisam lucrar cifras estratosféricas para bancar estruturas que já não fazem mais sentido (sufocando os critérios curatoriais), com recheios fugazes e delírios rasos sobre as efemérides, ainda tenham espaço no cotidiano atribulado dessa gente contemporânea que inclui vocês aí e nós aqui – a info rápida, ligeira e rasteira já está na ponta dos dedos, coreografados sob nossos smartphones há anos.
O papo aqui é outro.

Já perdemos as contas de quantos impressos – e em quantos formatos diferentes – fizemos nas duas últimas décadas e, além de estarmos calejados daquilo que ainda funciona e do que não funciona mais, entendemos que o conteúdo também deve assumir um caráter mais autoral, que equalize a imparcialidade do jornalismo com o conhecimento de causa de quem o exerce, para muito além da mera edição, do recorte chapa-branca. Se estamos certos ou não, o tempo dirá. Mas podemos afirmar com todas as letras, algoritmos e hieróglifos que essa já é, de longe, a maior e a melhor revista de nossas carreiras, concebida como uma peça gráfica na fronteira com os art books, que propõe uma reconfiguração do modelo em prol da continuidade dos impressos. Nas próximas quase 600 páginas, shootings bem mais produzidos, cerebrais, contundentes, entrevistas imensas de gente que tem o que dizer, fotos acachapantes, textos mais densos (e intensos), um olhar mais pessoal que convida a uma discussão democrática acerca de tudo um pouco e um pouco de tudo, reportagens que demandam um tempo maior de apreciação, sem pressa, entre outros que tais que justificam a periodicidade mais espaçada e o formato colecionável dessa POP-SE. O assunto-guia é uma amálgama da casa brasileira, da arquitetura, do design, do urbanismo e das artes plásticas, mas tudo alinhavado aos conchavos com a moda, comportamento, música, cartoons, ilustrações, gastronomia, cinema, atualidades e cultura pop em geral, sem nunca se esquivar das polêmicas que também são vetadas pelos “gigantes” do mercado editorial. Para nós do lado de cá do balcão, a única censura que vale é a sua. Se você não curtir, a gente fecha o doc do Word e abre uma quitanda. Caso contrário, a exosfera é o limite – tipo despir a Vera Fischer, fazer um editorial com móveis de design no sertão, entregar o maior dossiê de cópias já visto nesse mercado, abordar o modernismo no Brasil de um jeito divertidíssimo, importar conteúdo gringo de primeira e se importar com você, escrevendo e ilustrando incansavelmente como enxergamos a contemporaneidade. O resto, você vê na internet (e, paradoxalmente, no site da POP-SE, é claro).
Boa experiência de leitura!

equipe pop-se

 PUBLISHERS 
Allex Colontonio & André Rodrigues

 COORDENAÇÃO/ADMINISTRAÇÃO 
Editora C4

DIRETORES EDITORIAIS 
@Decornautas

PROJETO GRÁFICO 
Zé Renato Maia
Richard Kovàcs

DIRETORES DE ARTE 
Anderson Miguel
Christian Toledo

EDITORA-CHEFE 
Ana Paula Assis

EDITORA-ASSISTENTE 
Giovanna Gheller

GERENTE DE PRODUÇÃO 
Mayra Ometto

PRODUÇÃO EXECUTIVA 
Adriana Oliveira

PRODUTOR 
Anderson Farinelli

DESIGNERS 
Priscila Novo
Murilo Milanese
Daniel S. B. Mangione
Renato Freddi

REPÓRTERES 
Camila Cetrone
Gabriela de Sanctis

REVISÃO 
Nei Diaz

RETOUCHERS 
Vinícius Diefenbach
João Bitencourt
Ruy Reis

GERENTE DE NEGÓCIOS 
Keila Ferrini

ADMINISTRATIVO 
Valderi Ferreira da Costa

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