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BABY – POPSTORA CÓSMICA

“Amo ajudar, também por meio da música, no crescimento
interior das pessoas, na fé, na cura e na felicidade”, diz a cantora
e compositora Baby do Brasil, que prepara Festa na Floresta,
seu novo álbum,
com direção dos Decornautas, além do review baby & pepeu

Direção_Allex Colontonio + André Rodrigues | por_Paula Lima | Fotografia_Victor Affaro Beleza_Fabio Sorzan | Moda/Styling_Fran Piovesan | jaqueta salva-vidas_rafael chaouiche | Moulage plástico_Anderson Neves | moulage acrílico_Diego Motta |
Triângulo acrílico_Acrilmarco |
Produção_Felippe Chagas | Assistente de fotografia_Erick Gianezzi | assistente de beleza_leandro monteiro | Retoucher_Marcelo Calenda

Baby do Brasil é uma das melhores pessoas do mundo. Cantora, compositora, pastora, artista, telúrica, mãezona e vovó nada convencional, ela é personificação da bondade e do amor – como só se reconhece no vínculo da amizade. Sim, Baby, graças a Deus, é amicíssima de Pop-se, que ama e abraça as extravagâncias e diferenças especialmente quando agregam inteligência, respeito e afeto – assim tornou-se irmã de Allex & André, os publishers, há alguns bons anos. Baby, importantíssimo dizer, também é uma mulher de fé, vivência intrínseca ao dia a dia no caso dela, o que significa que tem menos a ver com o que diz e mais com a maneira como age. Uma presença indispensável, portanto, nesta edição, nesta casa e em nossas vidas. E se, como ensina o apóstolo Paulo nas escrituras cristãs, a bondade conforta e a esperança – e que Baby também tem de sobra – ameniza, só a fé pode ser forte o bastante para proteger das trevas. Inventiva, original e polêmica, Baby é luz. E não para um minuto com seus nobres propósitos – desfrutar do presente, agradecer por tudo que viveu no passado e se manter de olho no futuro.

Sempre foi assim. Ela já falava do pensamento das flores e do significado das cores muito antes de o mundo urgir para a questão ambiental de um jeito bem menos poético. Nem aí para os imperativos da força da grana que ergue e destrói coisas belas, para citar Caetano Veloso, que compôs para ela Menino do Rio, clássico absoluto e único no original com a voz de Baby, a cantora e compositora que sempre juntou tecnologia e natureza de maneira orgânica. No famoso sítio de valores hippie em Jacarepaguá, nos tempos dos Novos Baianos, ela lembra da glória no dia em que o galinheiro virou estúdio para ensaiar o “regional-elétrico” transformado em assinatura sonora da banda formada por Pepeu Gomes, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão, Dadi Carvalho e outros músicos que se juntavam ao grupo ao longo dos anos de 1970.

“Não queríamos luxo nem nos preocupávamos com dinheiro. Só pensávamos em criar música de qualidade e deixar um legado para as gerações futuras. (…) Mas tendo, naquela época, de driblar a repressão da ditadura e acreditando que tudo ia dar muito certo. E deu certo”, revelou, geneticamente otimista, numa fala recente para citar, como faz nesta entrevista à Pop-se, a “família musical” em que construiu o alicerce de sua carreira.

 “Mantenho ‘na pressão’ a positividade, a alegria, a confiança, a esperança e o resultado é energizante. Compartilho sempre de alguma forma com quem está perto de mim e faço questão de manter a felicidade na alta frequência, mesmo que não haja motivos aparentes para comemorar”, diz Baby. Evangélica, ela desapegou do sobrenome Consuelo, com o qual fez fama, optou por ser “do Brasil” e pratica sua crença e devoção com a autoridade de quem fundou a própria igreja, o Ministério do Espírito Santo de Deus em Nome do Senhor Jesus Cristo. Entre os argumentos mais racionais ou os mistérios do que é inexplicável, Baby sempre usa a expressão “matrix de Deus” – ou “matrix espiritual”, “matrix do bem” ou só “matrix” – quase como uma “senha” com que ela faz referência ao que identifica e define como uma conexão direta com Deus.

Assim, por força do chamado, Baby também já viveu o hiato de passar uma década longe dos palcos e diz que a experiência de entrega espiritual a fez reavaliar praticamente tudo – o perdão, o arrependimento, o amor, os relacionamentos, o sexo, a família. Feito isso, a vida ficou mais leve, a inspiração só aumentou e a interpretação também foi contaminada por essa leveza. Em tudo que faz, no trabalho ou na vida, parece usar a mesma apresentação que adotou nas mídias sociais. “Desprogramada está a derrota. Reprogramada está a vitória”, anuncia, enquanto se prepara para voltar aos palcos com um novo álbum, dirigido pelos Decornautas, com cenários orgânicos de nuances tecnológicas (tipo vegetações naturais emolduradas por neons) e muitos grafismos superdimensionados no palco. Também é deles a direção de seu revival com o pai de seus filhos, Pepeu Gomes, numa tour paralela exclusiva.

“Baby entrou nas nossas vidas ainda na infância, pela vitrola e pela tevê. Sempre a reconhecemos como uma das maiores artistas do Brasil. Muito mais tarde, quando dirigi o Memorial da América Latina e idealizei um show em homenagem à Elza Soares, só com cantoras de diferentes estilos e gerações influenciadas pela sua arte, convidei Baby e nos aproximamos justamente pelo nosso inconformismo com o lugar comum. Ela topava todas as ideias subversivas que eu lançava ou vinha com outra sugestão ainda mais maluca. Match instantâneo. Nascia ali uma amizade verdadeira e transformadora, íntima, em que nos frequentamos, nos apoiamos. Ela é uma das pessoas mais inteligentes que conheço e, certamente, a que mais faz pelo outro (Baby não pensa duas vezes antes de parar tudo o que está fazendo para ajudar ao próximo – e tá sempre salvando alguém). Compartilhamos, Baby e eu, da devoção ao mesmo Deus (tive uma criação evangélica e, embora não seja religioso ou ligado à qualquer religião, sou movido pela minha fé, devo fazer umas 30 orações por dia). E André, com tendências ao ceticismo, experimentaria, na amizade com Baby, a existência de Deus”, diz Allex Colontonio, para quem Baby é, “uma das maiores cantoras da história do Brasil, uma das entertainers mais completas que conheço e um ser-humano referência em conduta, ética e amor”.

POP-SE: Como você se autodefine, se enxerga como artista?

Baby do Brasil: Sinto-me privilegiada por ser reconhecida como uma cantora única e uma compositora brasileira de música de qualidade com vários sucessos. Lido com isso como um presente, uma benção, uma recompensa, uma experiência singular, extremamente importante e prazerosa pra mim.

P: E como tudo começou?

BB: Aos 17 anos, como integrante dos Novos Baianos. Era a única mulher cantora do grupo, onde iniciamos nossa trajetória. Começamos na Bahia e, em seguida, fomos para o Rio de Janeiro, passamos por São Paulo e, finalmente, nos estabelecemos em um apartamento em Botafogo, de volta ao Rio, onde João Gilberto nos visitou inúmeras vezes, nos influenciando maravilhosamente para sempre. Nesse clima de brasilidade absoluta, decidimos viver de uma maneira mais saudável, em meio à natureza e fomos morar no famoso sítio Cantinho do Vovô, em Jacarepaguá. Por mais de dez anos, morei junto com os meus amigos e parceiros de banda, dividindo e multiplicando tudo, como em uma verdadeira família de amor. Dediquei-me com afinco no dia a dia, com o grupo, para construirmos nosso nome e, consequentemente o meu também, para que entrássemos para a história e influenciássemos, como um referencial, uma escola de música do Caminho de Casa, de vida, de fidelidade, foco e compromisso, as novas gerações e os novos talentos.

P: Além de construir amizades, você também formou uma família…

BB: Todo esse início da minha trajetória se deu em meio às gestações dos meus seis filhos com Pepeu Gomes, que também era meu parceiro musical em cada sucesso alcançado, no início da minha carreira solo. Ele também foi o guitarrista e o arranjador nesse período todo e mais uma vez fui agraciada com o privilégio de ter ao meu lado um dos maiores músicos do mundo, com o qual pude aprender e crescer intensamente, convivendo com a sua genialidade musical.

P: Entre tantas questões importantes na vida pessoal, que cuidados teve para não se perder musicalmente?

BB: Durante toda a carreira sempre me mantive e me mantenho atenta para não me deixar poluir com as influências da música oportunista, que tudo faz pelo dinheiro ou sucesso. Sempre quis e ainda quero crescer musicalmente com todas as influências maravilhosas que tenho recebido desde a infância. Também estou aberta a todas as influências de qualidade que chegam, em letra ou em poesia, que tratem de algo que toque mais profundamente em mim e nas outras pessoas. Eu amo ajudar, também por meio da música, no crescimento interior das pessoas, na fé, na cura e na felicidade. Esses queridos de que falo e que se tornaram parceiros ou amigos, como João Gilberto, Caetano Veloso, Jorge Bem Jor, Gil, Novos Baianos, com Pepeu Gomes, Moraes Moreira, Paulinho Boca de cantor, Luiz Galvão, entre outros, chegaram na minha vida como um privilégio, uma honra, um presente de Deus.

P: Para o seu novo álbum você anunciou uma parceria com Pepeu Gomes. Como é essa relação de vocês hoje?

BB: Pepeu e eu somos ótimos amigos e construímos uma relação super tranquila. Estamos sempre nos falando e compartilhando muitas coisas, além dos filhos. Nossa amizade se intensificou desde que ele aceitou o meu convite para ser o convidado mais especial do meu show Baby Sucessos ao lado do nosso filho Pedro Baby, no Rock In Rio [em 2015, depois de mais de 20 anos sem tocarem juntos]. Nossa parceria musical sempre foi bem-sucedida e temos muitos hits juntos – Masculino e Feminino, Sem pecado e sem juízo, Barrados na Disneylândia, Mil e uma noites de amor, Planeta Vênus, Um raio laser, entre tantos outros. Para nossa alegria, das nossas famílias e fãs, depois de três décadas voltamos a compor uma nova música – linda, aliás – , que será lançada em breve, no meu novo trabalho. De um jeito surpreendente, foi como se o tempo não tivesse passado. A sintonia se dá num piscar de olhos, como sempre aconteceu. Também faremos uma turnê juntos, paralelamente às nossas carreiras individuais.

P: Todos os seus filhos são músicos/produtores respeitados. Como é a sua relação com eles?

BB: Meus filhos foram criados com muita liberdade de expressão e escolha. Todos são músicos em sua essência. Nunca interferi na escolha deles pelas profissões que têm, embora os tenha influenciado em vários momentos, incentivando-os e levando-os para os shows, compartilhando as experiências de laboratório e criação musical. O caminho que cada filho escolheu está baseado na experiência individual, na decisão e no talento que emana de cada um deles. Sou torcedora, incentivadora e se preciso, cooperadora no que eles precisarem. Sou muito fã do talento de cada um deles.

P: Você tem uma neta cantora e compositora, Rannah Sheeva, da sua primeira filha, Sarah Sheeva, que também é expert em gravação e masterização. Do seu primeiro filho homem, Pedro Baby, Dom Pedro Baby, que literalmente, tem um “dom” para a música e já simula cantar, tocar guitarra e bateria. Como você se sente como avó?

BB: No dia em que “subi de posto“ virando avó, vivi uma experiência e uma emoção que estão entre as mais incríveis na minha vida. A sensação e o sentimento ao olhar a minha primeira neta, quando eu tinha 39 anos, foi meio de “coprodutora”, com Deus, pela vida dela. Era como se uma voz me dissesse: “Se a mãe dela não tivesse nascido de você, ela não estaria nascendo hoje.” Foi muito forte, me senti muito abençoada em participar mais uma vez do projeto de Deus para esse mundo. Fiquei um tempo de olhos fechados me sentindo “no esconderijo do Altíssimo à sombra do onipotente”, fazendo de tudo para expressar a minha gratidão por essa experiência espetacular e arrebatadora, que Ele me proporcionava, com essa vida que chegava para nossa família, com a minha primeira neta Rannah Sheeva. Hoje ela é uma jovem linda, uma artista, cantora, compositora, instrumentista e produtora musical que grava e mixa seus fonogramas com perfeição. Ela é demais. Uns 27 anos depois da primeira neta, nasce o primeiro neto homem, Dom Pedro Baby, mais uma alegria maravilhosa, outra grande emoção. Dom está com três anos, ama a música e passa a maior parte do dia brincando de tocar guitarra, cantar, e agora a novidade é que se apaixonou também por aprender a dançar e passa horas fazendo shows na sala, com figurinos exclusivos feitos para ele. Ele me surpreendeu pedindo um violino, que já está em suas mãos, e a cada minuto nos impacta com sua atitude artística, ainda tão pequenininho e com um gosto musical apurado. O que nos faz perceber que o DNA musical da família, um dom de Deus, continua fluindo livremente pela nossa descendência.

P: O que aprendeu com a maternidade e como foi conciliar essa responsabilidade com a carreira?

BB: A maternidade me ensinou a conhecer o ser humano desde o seu nascimento, a me conhecer e a ter a misericórdia e o amor incondicional para perdoar e pedir perdão 24 horas por dia. Fiquei mais paciente, amável, protetora, administradora, multiplicadora, sensível, vigilante, e me fez buscar a Deus com muito fervor para que os meus filhos fossem protegidos por toda a vida. Faço isso todos os dias, desde o primeiro nascimento. Conciliar a carreira com a maternidade foi muito prazeroso pra mim. Amo aventuras em família e com amigos. Gosto de festa, alegria, casa cheia, inventar coisas, quebrar rotinas, reinventar tudo. Quando criança sonhava ter uma casa na árvore quando crescesse, como o Tarzan e a Jane. Sonhava ter um circo e sair pelo mundo com a família. Então, levar os filhos ainda pequenos para as viagens de shows, junto com as babás, comidas orgânicas e tudo que não pudesse faltar pra eles, era uma grande curtição, uma aventura, uma realização, que iria contribuir muito, no futuro, para esse lado de socializar e comunicar deles. Fiz todos os esforços para protegê-los e mantê-los perto de mim nos momentos mais frágeis enquanto ainda não estavam na escola. Minha vida com eles é inesquecível. Sou grata a Deus por tê-los recebido e parido. Eles são os grandes amores da minha vida. Seis filhos com características próprias e muita personalidade. Uma grande honra, um privilégio e um ensinamento precioso pra mim poder amá-los incondicionalmente. Isso me proporciona chegar mais perto de Deus a cada dia. Eles são uma benção imensurável na minha vida.

P: Você é uma mulher muito culta, vive citando Newton e Einstein, com desenvoltura rara. Quando fala de religião, sempre a associa à ciência, mencionando o que chama de “matrix espiritual”. O que é “matrix espiritual”, afinal?

BB: Sinto uma satisfação enorme em pesquisar, me aprofundar e aprender. Gosto de observar as evidências e os “sinais”. Essa atitude me levou a ter bastante conhecimento de vários assuntos, todos da maior importância. Me interessa olhar a partir de vários ângulos. Pelo lado natural, pelo científico e também na perspectiva espiritual. Quando entro nessa análise, ressalto o cuidado em separar o conceito de religiosidade tradicional, que vem do lado humano e que nos “engessa”, limitando a compreensão, e o lado que considero a parte principal, o relacionamento de filhos de Deus, para obter a revelação direta da fonte. Um direito nosso que precisamos tomar posse. Esse lado é o que vem pelo insight, pela fé, pelo não-julgamento, pela intimidade com o Pai através da oração, pelo jejum, pela integridade dos nossos atos, do coração aplicado aos caminhos ensinados por Jesus Cristo, que nos levará até a revelação das coisas espirituais mais profundas, com segurança. Por isso busquei um termo para expressar melhor quando quero me referir aos assuntos do sobrenatural de Deus. Que é referente a essa conexão direta. Esse termo acabou pegando e sempre que uso é logo entendido. Isso também é matrix. Sobre gostar das ideias de Newton e Einstein, comecei a ficar ligada a eles bem no início da minha adolescência. Percebi que havia neles um diferencial em relação aos outros cientistas em geral. Percebi a quantidade de “revelação científica” que traziam para a ciência e para a humanidade. Foram as ideias e as frases de Einstein, revelando o seu nível de busca espiritual para entender o plano do autor de todas as coisas, que me deram ainda mais essa certeza. “Quero conhecer os pensamentos de Deus, o resto é detalhe” e “Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre” estão entre as citações atribuídas a Einstein de que mais gosto. Ao provar a lei de “causa e efeito”, absolutamente infalível, Newton trouxe uma revelação na verdade com raízes espirituais profundas pois tudo está sujeito à orquestração do julgamento de ação e reação. E quem julga? Uma lei divina? Sim, matrix de Deus. Newton, entre outras, teve uma experiência que deixou e deixa os seus discípulos atônitos, pois foi encontrado por eles, nos seus escritos e registros, a afirmação de que há um código dentro da Torah, que conta passado, presente e futuro da humanidade. E para endossar Newton, Einstein declarou: “Newton tinha razão. A Torah e alguns livros da Bíblia contam passado presente e futuro da humanidade, mas eu não posso provar porque não tenho equipamento.” Na época em que ele viveu não havia ainda o computador, para que toda aquela equação fosse decifrada, pois só era possível, se as sílabas representadas por números fossem decodificadas de 50 em 50 palavras, matematicamente e, reveladas novamente em texto. Algo inacreditável. Só bem mais tarde o cientista e matemático Eliyahu Rips, discípulo de Newton, patrocinado com sua equipe por Harvard, pesquisou a fundo os registros de Newton e foi publicado o resultado em livro intitulado O Código da Bíblia, escrito em parceria com o jornalista Michael Drosnin, contendo todas as comprovações de que Isaac Newton descobrira algo que lhe fora “revelado”. Por essas e outras razões matrix, sou tão ligada a esses dois ícones da humanidade, Albert Einstein e Isaac Newton, que, como eu, são caçadores de Deus.

P: O que é fé para você? Tem uma história tocante sobre o André Rodrigues e um sabiá que fiquei sabendo dia desses…

BB: Fico muito feliz por transmitir essa força poderosa da fé. Pra mim, é uma honra. Diariamente, malho essa musculatura espiritual, colocando em ação essa fé para que ela realmente transborde. Mantenho “na pressão” a positividade, a alegria, a confiança, a esperança e o resultado é energizante. Compartilho sempre de alguma forma com quem está perto de mim e faço questão de manter a felicidade na alta frequência, mesmo que não haja motivos aparentes para comemorar, porque, na verdade, só por eu ter experiências incríveis com esse Jesus maravilhoso, com o Espírito Santo e com Deus Pai, protegendo-me e à minha família, já tenho motivos mais que suficientes para comemorar o dia todo. “Se Deus é por nós, quem será contra nós!” Aconteceu um fato muito especial com o André [Rodrigues, publisher de POP-SE], que ama os animais e a natureza. Ele cuida com carinho de vários bichinhos como um porco-espinho, as tartarugas, o Zion, um cachorro Samoieda, da Sibéria, todo branco, lindo. Conversamos bastante sobre a existência de Deus e como é a forma que Ele responde. Com ele é “mais” científico e sempre se reservou quanto aos temas mais espirituais, a minha linguagem sem religiosidade trouxe mais confiança para falarmos sobre o assunto. Contei que para pedir uma resposta de Deus, eu simplesmente falava com toda a minha sinceridade de coração e simplicidade nas palavras e Deus sempre me respondia e que Ele sabe como se fazer ouvir pois conhece os nossos corações. Fui pra casa já um pouco tarde da noite e quando a madrugada avançou, recebi uma ligação emocionada dele: “Baby! Você não sabe o que aconteceu agora. Fui tomar banho, lembrei-me da nossa conversa e perguntei, já entrando no chuveiro: ‘Universo, Deus existe?’ Você não imagina o que aconteceu. Do nada um sabiá pousou na janela e cantou pra mim”, ele me disse. Fiquei maravilhada. Glorifiquei a Deus pela sua fidelidade em falar com cada um de nós na linguagem que nos fala direto ao coração. Foi tão importante pra mim essa experiência do André que se tornou uma inspiração na letra da minha música nova, É Festa na Floresta: …a sabiá lá na janela, ouviu a minha oração /a sabiá é quem era a resposta e a confirmação!/ Oh, é um novo tempo chegando, conectando com a nova compreensão. Tenho experimentado ao longo da minha vida os milagres e os efeitos maravilhosos da fé. A melhor definição que encontrei para traduzi-la com perfeição, está no Livro de Hebreus no capítulo 11: “A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vêem”. Isso é matrix. É preciso crer para ver.

P: Na década de 1980, muito antes de as pessoas falarem em sustentabilidade, você já compunha sobre, a exemplo da música Planeta Azul. Festa na Floresta, seu novo show, nasceu a partir da observação do mundo e das pessoas durante o início da pandemia. Como você enxerga a relação do ser humano com o meio ambiente? Algo mudou a partir da pandemia?

BB: Durante a pandemia vimos a natureza se reciclando, justamente quando o homem precisou parar todas as suas atividades poluidoras. A natureza não teve lockdown, não teve confinamento. Ela foi se limpando. Esse foi um aspecto impressionante que impactou a muitos. Foi gratificante enxergar o “mover” paralelo do ecossistema para ajustar algumas das aberrações que o homem vive cometendo contra o meio ambiente. Um exemplo disso foi na Bahia de Guanabara, com as tartarugas enormes que começaram a chegar até as praias, que já estavam com as águas cristalinas. Foi incrível. Quando fiz a música Planeta Azul, estava gritando um manifesto para alertar os perigos da depredação da natureza para a saúde do planeta e da humanidade. É uma música pra esse tempo e talvez eu acrescente mais uma parte a ela. A experiência de vida dessa pandemia mudou muitas pessoas e balançou com as estruturas do mundo. Tivemos que reavaliar na marra os conceitos de amizade, família, negócios, sustentabilidade, ecossistema, riqueza, pobreza, caráter, entre outros valores, além de resgatar tudo o que nem lembrávamos mais. Como o dar a mão ao necessitado e oprimido como a um irmão. Quem entender o lado apocalíptico nessa virada que o mundo está dando vai conseguir se posicionar para os acontecimentos vindouros.

P: Você assumiu uma postura polêmica no meio artístico ao defender remédios sabidamente ineficazes ao mesmo tempo em que não defendeu posturas políticas durante a pandemia. Você acha que religião e política se cruzam socialmente ou é algo “evitável”?

BB: Sou, por excelência, uma pacificadora e me sinto com a missão de fazer o bem. Amo ajudar as pessoas, interrompo brigas na rua, ajudo pessoas que não conheço, oro por todas as pessoas, mesmo sem nunca ter visto ou falado. Nasci com esse desejo no meu coração e exerço esse ministério de intercessão desde bem pequena. Nunca enxergo essa missão envolvida com algum interesse político, pois ela vem do coração, de um sentimento de amor fraternal muito forte que é maior do que eu. Quando esse assunto tornou-se polêmico, foi que percebi que algumas pessoas não estavam conseguindo me enxergar e misturavam o meu amor pelas vidas com política. Confesso que fiquei impressionada por constatar que essas pessoas estavam tão imersas nas suas convicções que talvez não enxergassem nunca o meu desejo desesperado por salvar vidas. Mas perdoei pois Deus conhece o meu coração. Em relação à religião e política, acho que o homem naturalmente tem todos esses lados e eles podem conviver entre si, desde que haja respeito e compromisso de cada pessoa com a outra. Como disse Mahatma Gandhi: “Divergência de opinião não é motivo para brigas.” Lembro-me da história do Rei Davi, que conta que por quarenta anos ele foi o único Rei na Terra que conseguiu estabilidade financeira para todo o povo. Davi, que também tocava harpa, manteve nesses quarenta anos as bandas de louvor e adoração que se alternavam e não deixavam a adoração parar durante 24 horas por dia e a prosperidade cresceu sobremaneira para todo o povo, por que o rei era com Deus. Matrix total. Whooohoooo!

@babydobrasiloficial

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