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editorial

Amar na primeira pessoa

Adotar o amor próprio como narrativa não é uma viagem egocêntrica – au contraire. Sabemos que a vaidade é o único sentimento que embota a inteligência e tentamos passar ao largo dela. Muitas vezes fracassamos, afinal, somos freudianamente condicionados a buscar a aprovação desde o primeiro suspiro. Por outro lado, a percepção de acreditar em si mesmo está diretamente ligada às grandes realizações. Amar-se é o primeiro passo em direção ao amor pleno. É entender-se. Compreender-se e ao outro – somos todos iguais – e o mundo à nossa volta, o meio ambiente do qual fazemos parte indissociável. O amor próprio, ou auto-amor, ou seja lá o que for, é esse super-empoderamento capaz de neutralizar os piores medos e nos aproximar das prioridades que compartilhamos. Amar-se é render-se. Encontrar-se. Perdoar-se. Sustentamos uma vida na caça pela beleza alheia, pela felicidade outra, pelo sonho produzido, composto e arranjado para ser um commodity no campo de tiros do capitalismo selvagem. Fomos – e somos – sistematicamente ensinados a adquirir add-ons, implantes, subterfúgios e meias-verdades visuais que nos distanciam, nossos pensamentos e nossos corpos, da genética cuidadosamente alinhavada pela natureza ao longo de bilhões de anos de evolução das espécies. Neste contexto, a existência funde-se ao sistema de consumo, borrando linhas: dinheiro não compra felicidade, mas manda buscar. Será? Queremos, por fim, aceitação. Então, resolva-se. Liberte-se. Aceite-se.

POP-SE, revista colecionável com cara, conteúdo e atitude de art book, é um projeto que materializa, essencialmente, o amor de dois caras pelo negócio dos impressos enquanto meio de expressão, comunicação e transformação, apesar da mudança radical nos hábitos de consumo da informação – que atualmente aterrissa rápida, ligeira e rasteira na palma da sua mão via smartphones que desde já anunciam o estabelecimento da inteligência artificial: oi, Siri/prazer, Alexa. Amores artificiais em paraísos virtuais. Imprimir talvez não deixe de ser um ato de vaidade, já que continuam dizendo por aí que esse formato de mídia vai findar e não lucramos nadinha com ele. Mas também não somos suicidas teimosos. Nossa insistência/resistência não é mero orgulho e vêm imbuídas de uma imensa responsabilidade + compromisso em fazer a diferença com os nossos leitores e colaboradores. Acreditamos sim neste formato de imprensa – desde que reconfigurado, reestruturado, ressignificado. Na contramão do crepúsculo editorial que manda as revistas mensais para o limbo (ou reduz os títulos vigentes a carpaccios), apostamos há anos em novos formatos. No caso de POP-SE: colecionável, trimestral, com pautas autorais, feitas em nosso “quintal”, mas abertas para o mundo, sem nenhum interesse escuso ou auto-favorecimento, buscando oferecer um recorte cultural alternativo para a coletividade, defendendo um lifestyle com mais design, mais originalidade, mais conhecimento, mais posicionamento, mais amor. Foi assim que, com menos de um ano de vida e em nossa quarta edição, fomos elogiados pela imprensa nacional e internacional e ganhamos alguns dos prêmios mais expressivos do circuito (troféu Pini, Brasil Design Award, Prêmio Paulista, Bienal Latino Americana de Design Gráfico, Society of Publication Designers). Conteúdo visceral, corajoso, denso, intenso. Trata-se de escolher temas de interesse geral, claro. Porém, peneiramos os assuntos com os quais tanto a gente quanto o nosso timaço estelar de colaboradores temos mais intimidade ou, no mínimo, proximidade o bastante para escrever e decodificar em imagens com mais propriedade, sob uma perspectiva outra. Nas próximas páginas, uma seleção de casas para sonhar e se inspirar, ensaios-artsy, personalizados, embalados por textões densos, intensos e gossips que vão desde o galã global que rompe paradigmas até o decorador do high-society que se desconstrói por inteiro. Uma ode ao amor próprio. Precisamos nos adaptar aos novos tempos, é claro. Adapte-se. Mas o grande lance é não se diminuir para caber em algo – ou em alguém. Ame-se mais. POP-SE já!

@Decornautas 
@allexcolontonio 
@r_andreh

Fotografia_Marcelo Magnani | Manipulação Digital_Rafeel Galvão | Capacetes_ Elvira Shuartz

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