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do lilás ao carbono

Jovem, linda, empreendedora e jornalista de mão cheia, Lili Carneiro é a cara e o conteúdo por trás da Editora Carbono, um dos raros, bravos e persistentes propulsores da mídia impressa brasileira em tempos de fake news e efemérides digitais

Texto_Allex Colontonio

Renata Carneiro é uma dessas meninas-prodígio mais difíceis de encontrar do que cabeça de Bacalhau da Noruega. Quando fui convidado a assumir como editor-chefe da “Wish Report” (que Deus a tenha), ela já estava lá, digitando textos quase que compulsivamente, feito operadora de telex da era pré-internet. Recém-chegado e caxias do calcanhar ao cocuruto, no começo desconfiei do timing-relâmpago que a menina bonita e muito educada tinha pra escrever, sem ficar parada um minuto sequer diante da tela à espera de uma epifania. Eram quilômetros de matérias e mais matérias que dariam para fazer uma passadeira da Avenida Brigadeiro Faria Lima à Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Depois de ler e me impressionar, jogava trechos inteiros de suas reportagens no Google esmiuçando as fontes, checando as infos, puxando a capivara da garota. A impressão durou dois dias e eu me desculpei. Estava diante de um dos maiores talentos que conheci em quase duas décadas de riscado à frente de diferentes redações. Rápida, ligeira e jamais rasteira, engraçadíssima, inteligente, culta, poliglota e polivalente (cursou três faculdades praticamente ao mesmo tempo), Renata não tinha cara de Renata e seu pai (re)batizou-a de Lili, como ficaria conhecida no circuito. Ou Lilica, Lilows, Lilás, aliás, tanto faz. Ela é várias numa só – uma mais autêntica que a outra.

E juntos fizemos a “Wish Report”. Quando convenci nossa diretoria a lançar a “Wish Casa”, também foi ela o meu braço direito. O ano era 2011 e, já naquela época, o panorama das revistas impressas se apresentava desgastado. Era preciso inovar, rever formatos e, para tanto, ter amor pelo negócio era condição sine qua non. Ela tinha.

“Sou formada em Publicidade, Rádio e TV e Design Gráfico. Sempre tive uma queda pelo impresso. Desde os tempos de Almanacão da Mônica… Era tudo tão fascinante! Pilhas de revistas, pastas com recortes, rolos e rolos de negativos fotográficos. Os tempos eram outros e o encanto das mídias ia muito além de um smartphone. Mais tarde aprenderia tudo na ‘Wish’ – uma escola com direito a curso superior, pós-graduação e doutorado”, conta.

Com o fim da editora Nova Criação, montou junto com Luciano Ribeiro, seu então sócio, a Editora Carbono. “Nosso objetivo era falar com o mercado masculino de uma forma elegante, coisa que não víamos por aí. Todas as revistas eram voltadas ao ‘homem machão’, com matérias sobre bares para encontrar mulher gostosona e dicas de como paquerar na noite. Nos propusemos a falar com o homem brasileiro de maneira atraente, fina, cool. E assim nasceu a Carbono Uomo. Em paralelo, lançamos um braço de produtos customizados e no primeiro ano ganhamos clientes como Breton, Thelure, Trousseau, Ellus e Fasano”.   

Deu certo. Hoje em voo solo, heróina da resistência num mercado bastante desacreditado – mas que a gente ainda bota muita fé, como você deve ter notado –, Lili mete as caras: “acredito, amo e me inspiro nos impressos. Acho que uma reinvenção é sim necessária. A implementação do digital é fundamental mas o impresso bem trabalhado não morre. Onde há nicho, há eternidade. Que o período é crítico, é inegável, mas ainda há muitas alegrias nesse mercado. A página de um jornal ou de uma revista, que antes carregava informações exclusivas hoje duela com posts instantâneos e likes em tempo real. O papel informativo fica tímido, mas ganha força o papel que entretém, que diverte, que fascina. Sementes germinam. Em setembro lançamos ‘Carbono Donna’”. Enquanto as próximas Carbonos não chegam, POP-SE, entusiasta do papel passado a limpo (e muito bem impresso), pinçou da revista-amiga alguns drops de seus ensaios mais bacanas.

Nosso objetivo era falar com o mercado masculino de uma forma elegante, coisa que não víamos por aí. Todas as revistas eram voltadas ao ‘homem machão’, com matérias sobre bares para encontrar mulher gostosona e dicas de como paquerar na noite. Nos propusemos a falar com o homem brasileiro de maneira atraente, fina, cool. E assim nasceu a Carbono Uomo

@carbonouomo

 

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