fotossíntese

A fotografia furtacor de Juliana Sícoli ora desfila nuances cromáticas, descortina metrópoles, flerta com elementos naturais e emociona  na arte de desenhar com a luz. Sob seu olhar, até  as folhas ganham ares de neon, com se plugadas na tomada

Texto_Ana Paula Assis
Fotografias_Juliana Sícoli

Seja um recorte singular nas folhas secas amontoadas pelo outono ou espécies pujantes, resultado de cinco horas de capturas a fio em um jardim botânico na Flórida, fato é que a natureza vez ou outra aparece materializada no repertório da fotógrafa

densidade dos grandes olhos verde-esmeralda de Juliana Sícoli, mulher linda de viver, captura enquadramentos poéticos de alcance dificilmente imaginado. Há doze anos no metiê, a mineira de BH pendurou o diploma de Administração de Empresas para mergulhar de vez no universo das grandes angulares de recorte preciso. Fã do lendário Henri Cartier-Bresson (1908-2004), Ju se preocupa em desdobrar narrativas que capturem a verdadeira essência do assunto a ser retratado. “Gosto de contar histórias com os meus registros”, revela. As obras da série Metamorfose representam um marco no percurso com participação inaugural na coletiva “Ser e Sentir-se” (2016). Já a mostra “Passagens” (2017), exibida na galeria Orlando Lemos, na capital mineira, onde nasceu, refletiu a escalada da verve criativa da artista em alguns decibéis. Sempre de posse de uma câmera 50 mm e enfoque na luz natural, em 2018, foi a vez de alçar um voo mais alto e espetacular ao apresentar a expo Magmaluz, sua primeira individual em São Paulo, na GWS & Gallery. As 19 composições singulares, elaboradas na técnica fine art fazem uso explosivo de cores – característica muito marcante na trajetória da autora – em papel de algodão e impressão com pigmento especial, carimbaram de vez seu passaporte na cena artsy. A visibilidade também garantiu sua participação nas SP Arte e SP Foto – as mais prestigiadas feiras de arte e fotografia da América Latina. O portfólio também é composto pelas séries: Arrhythmias, Carcerem, Inquietudine, (In) progress, Rio e Mar, Pinturas, Linee, Ragiologiee, Sublimação e Botanical. “Minhas relações mais fortes e o que me inspira diariamente são a vida e a luz”, revela sobre as referências na hora de bailar com lentes. Seja um recorte singular nas folhas secas amontoadas pelo outono ou espécies pujantes, resultado de cinco horas de capturas a fio em um jardim botânico na Flórida, fato é que a natureza vez ou outra aparece materializada no repertório da fotógrafa (muito desta referência se deve à convivência junto ao paisagista Luiz Carlos Orsini – um passarinho nos contou que muito em breve o casal deverá trocar alianças). “É inevitável se tocar com a poesia de seu trabalho, que tenho o privilégio de acompanhar de perto. O mundo dele é lindo e tenho muita admiração e respeito, temos uma troca de ideias muito inspiradora a todo tempo, então acaba que tudo flui melhor nesse ambiente, onde o belo e o bem estão constantemente presentes”, revela a artista que em breve estará representada em uma galeria na capital paulistana e promete ainda aumentar o volume com “Gigantes Silenciosos”. A nova expo apresenta uma desfragmentação arquitetônica quase sempre despercebida pelo grande público que frequenta estádios de futebol por variadas cidades do mundo como o Mineirão (BH), o Boca Juniors (Buenos Aires) ou Real Madrid (Madrid). Não temos dúvida do sucesso que a série fará e já estamos na arquibancada para aplaudir a craque neste  novo desafio que promete dar uma goleada estética digna de Copa do Mundo.