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POP-SE leva um lero com o homem por trás da máquina: o fotógrafo português Fernando Guerra, que fala sobre sua precursão na fotografia aérea, a paixão pela arquitetura e as motivações do dia depois de amanhã

Por_Cynthia Garcia
Retrato_joana guerra

Há cinco décadas, o fotógrafo norte-americano Eddie Adams, da Associated Press, registrou um chefe de polícia vietnamita no exato momento em que disparou a arma na cabeça de um vietcongue. A foto, “Execução em Saigon” (1968),  virou um ícone contra a Guerra do Vietnã. Ao ganhar o Pulitzer de fotografia, Adams disse: “Duas pessoas morreram naquela imagem: quem recebeu a bala e o chefe de polícia. Ele matou o vietcongue; e eu o matei com a minha câmera. A fotografia é a arma mais poderosa do mundo”. Fernando Guerra, apesar da sugestão do sobrenome, não seguiu os passos de Adam, mas tem um dos olhares mais certeiros de registro do espaço habitado pelo homem no século 21. Conquistou o respeito de mestres da arquitetura encabeçados pelo Pritzker Prize, de Álvaro Siza à elite do neo-modernismo brasilis, de Isay Weinfeld a Marcio Kogan. Suas fotos estão no acervo do MoMA, de Nova York, e foi eleito embaixador da Canon Europa. Na hora do clique decisivo de sua fotografia de arquitetura, Guerra consegue registrar o formalismo geométrico e poético da obra naquele átimo sublime em que a luz banha a volumetria e os vazios em todo o seu esplendor, e ainda consegue nela imantar sutis camadas de informação que humanizam suas imagens magistrais. O premiado fotógrafo português de 48 anos vem capturando a mais bela arquitetura contemporânea dos sete continentes há duas décadas em sociedade com seu irmão Sergio Guerra, administrador do renomado estúdio lisboeta que responde pela sigla FG+SG. Na estreia dessa POP-SE, que flerta essencialmente com a casa e outros sustentáculos da vida contemporânea, pinçamos algumas das imagens mais emblemáticas de seu portfólio, absolutamente conectado ao seu lero-lero na entrevista a seguir. Com vocês, o homem por trás da máquina. 

POP-SE: Fernando, com esse seu sobrenome, por que você não se tornou fotojornalista de guerra?   

FERNANDO GUERRA: Poderia, mas conflito não é um desafio que me interesse. Nunca foi. Fui convidado para fotografar a Guerra do Iraque, mas preferi trabalhar como arquiteto em Macau e continuar a fotografar vários países daquele lado do mundo. Não me interessa sequer ver as imagens do World Press Photo, fico deprimido. Felizmente, existem outros que fazem isso muito bem. Gosto de mostrar o lado bonito da vida.

P: Você concorda que a fotografia é a arma mais poderosa do mundo?    

FG: Considero a palavra mais poderosa. A fotografia pode ser também, mas como complemento à palavra ou simplesmente sozinha – depende muito do uso que se dá e o contexto onde é inserida.

P: De onde veio essa sua paixão pela fotografia? 

FG: Sempre gostei de desenhar, mas percebi que não chegaria lá. No entanto, na fotografia, vi que o céu era o limite, ou seja, não existem limites. Quanto mais me entregava, mais longe ia. E tem sido assim. Peguei a câmara pela primeira vez aos 16 anos – Sergio tinha 11 a essa altura. Passados 20 e tantos anos, nunca imaginei trabalhar com meu irmão numa coisa que nada mais era que um hobby de adolescente. Hoje, fotografo diariamente para os mais importantes arquitetos portugueses e estrangeiros, ilustro artigos na web e na mídia impressa, mas, sinceramente, tudo se resume ao mesmo olhar curioso de 30 anos atrás. Às vezes, quando perguntam minha profissão, digo “arquiteto” porque a fotografia faz tão parte da minha vida que se confunde com ela. É muito mais que uma profissão. Também só assim consigo aguentar uma vida passada a maior parte na estrada e na casa dos outros. Ser fotógrafo é modo de vida, não profissão.

P: Sua fotografia possui como fio condutor um purismo de extrema elegância, como se fossem desenhadas pela proporção áurea. De onde vem seu agudo senso estético?

FG: A arquitetura me treinou mais sobre como responder a um problema com método. O resto, é inato. Não acredito no ensino da fotografia para além de uma vertente técnica ou histórica. Sigo o instinto e aquilo que gosto de ver. Claro, contam os anos fotografando e vendo fotografia. Fotografar 30 anos diariamente fornece uma biblioteca de coisas que não devemos fazer, mas também uma enorme incerteza sobre se já chegamos a algum lugar.

“O enorme prazer pelo ofício faz com que Fernando espere o melhor momento, escolha a melhor luz, tire partido das condições atmosféricas. Sua obra é poesia. Ele toma partido da luz e da paisagem para contextualizar os projetos. Tem o olhar do forasteiro, do visitante que enxerga o que já não conseguimos ver. Há alguns projetos que hoje considero melhores por conta das imagens, dos ângulos que Fernando me revelou. Ele enxerga o que eu não vejo no meu trabalho”
Arthur Casas


tempo, tempo, tempo
Nesta imagem, o Lar de Idosos projetado pelo português Aires Mateus, em Alcácer do Sul, Portugal

Edifícios Habitacionais na China, MAD

“Fernando Guerra é um grande fotógrafo e um grande amigo. Nosso encontro foi um ‘match’. Ele documenta como ninguém a emoção, a atmosfera, o aspecto humano dos projetos. Gênio!”
Marcio Kogan


Hotel Emiliano, no Rio de Janeiro, assinado por Studio Arthur Casas. 

P: A solução qual seria, então?

FG: Sempre fazer mais e mais.

P: Você fez arquitetura mas, em vez de segui-la, apropriou-se dela por meio de seu registro fotográfico. O que o levou à fotografia de arquitetura?

FG: Faço fotografia desde 1986. Sempre soube que iria fazer arquitetura e, se calhasse, seguiria os passos de meu pai, arquiteto. A influência da arquitetura certamente ficou – cheguei até a projetar, mas a fotografia foi tomando conta de mim.

P: Como isso aconteceu?

FG: Após cinco anos em Macau trabalhando como arquiteto, no regresso a Lisboa, meu irmão, Sergio, que estava por se laurear em arquitetura, insistiu que fizéssemos um projeto juntos. Eu já havia feito alguns trabalhos de fotografia, mas nada sério. Até então, eu via a fotografia de arquitetura como uma coisa sem graça ou, pelo menos, a coisa menos interessante que se poderia fazer com uma máquina fotográfica. Apesar de fotografar desde criança, para mim a fotografia de arquitetura parecia apenas como a representação pura e dura da obra. Claro, existiam exceções, mas eu estava em outra, gostava de fotografar a rua, minhas viagens, tudo o que era diferente do meu cotidiano, até o dia em que comecei a fotografar arquitetura em Portugal. Aí bateu a paixão. Um dia, ao fazer uma reportagem para o arquiteto Gonçalo Byrne em Aveiro, fiz minha primeira fotografia de arquitetura: uma imagem que, sem querer, conseguiu reunir minha bagagem de fotógrafo de rua – onde o instante decisivo é fundamental – ao formalismo geométrico da fotografia de arquitetura. Foi quando acordei para um tipo de fotografia de arquitetura que jamais tinha visto. Estava tudo ali. Ainda gosto dessa imagem – ela se tornou a base do meu trabalho até hoje: unir o instante decisivo e os layers de informação desnecessária que gosto de incluir no que fotografo.

P: Afinal, você é ou não um arquiteto frustrado? 

FG: Nada frustrado. Encontrei uma forma de fazer o que quero todos os dias, com clientes bons e uma equipe incrível. Na realidade, ninguém deixa de ser arquiteto, e não me sinto aposentado da arquitetura. Minha missão é difundi-la, o que pode ser tão desafiador quanto projetá-la.

P: Logo, ter cursado arquitetura foi essencial para o profissional que você se tornou. 

FG: Como arquiteto, percebo o que interessa ou não captar. Um fotógrafo de publicidade ou de casamentos é incapaz de perceber o que funcionou melhor em uma obra. Não consegue ver onde houve concessões por parte do arquiteto e o que não interessa explorar.

P: Sua maneira de fotografar mudou ao longo dos anos?

FG: Claro. Nestes últimos 19 anos, conheci os autores dos projetos, conversei com os trabalhadores, os proprietários, as equipes. Perceber que meu trabalho de mensageiro da obra é o resultado de tanto esforço é algo muito especial e de tremenda responsabilidade. Meu estilo é o resultado de 30 anos fotografando – ele tem mudado e se adaptado a novas tecnologias como a digital e a dos drones, e crescido muito com o mundo online. No entanto, uma coisa continua igual: o prazer que sinto ao fotografar! A vontade de querer chegar à imagem perfeita, aquela que reúne a essência do que vejo. No âmago do profissional que hoje sou e do rapaz de 16 que registrava tudo à sua volta não há grande diferença. Continua uma enorme curiosidade pelo que nos rodeia.

P: Vamos à tecnologia. Em 2012, você foi nomeado Canon Explorer, assumindo o papel de embaixador da Canon Europa no segmento de fotografia de arquitetura.

FG: Sou embaixador da Canon há seis anos. Coincidentemente, minha primeira câmera, em 1986, foi uma Canon T90. Há muito namoro a marca. Uso várias Canons 5Ds e 5DR, e várias lentes, especialmente as TS, base de qualquer fotógrafo de arquitetura.

P: Você foi pioneiro na utilização de drones na fotografia aérea de arquitetura…

FG: Começamos a fazer fotografia aérea em 2011. À época, as ferramentas para voar eram ainda muito básicas e, em muitos casos, tínhamos de desenhar parte do equipamento. Os voos eram curtos e nem sempre acabavam bem. Mas foi fundamental começar cedo – logo percebi a importância da câmara aérea e aprendi a enquadrar. Os clientes, claro, adoram. Já temos milhares de imagens da Terra vista de cima, mas a fotografia mais importante é a que conta uma história, em terra ou no ar. Vejo a fotografia aérea apenas como uma máquina fotográfica que voa e me ajuda a contextualizar a obra. É um complemento perfeito.

O que diferencia o trabalho do Fernando Guerra do de tantos fotógrafos é, evidentemente, seu olhar. Ele é um craque. Acho isto também por uma razão muito simples: ele olha para a obra do mesmo jeito que eu olharia
Isay Weinfeld

“O olhar de arquiteto que ele transfere à sua fotografia faz com que a gente consiga entender o projeto como se estivéssemos diante de uma maquete. Tudo fica muito claro, inclusive a relação do projeto com seu entorno. Ele consegue capturar aquele momento em que a arquitetura acontece, quando é vivenciada. Nas fotos do Fernando, as folhas, as pessoas, os elementos parecem se mexer, tudo tem um movimento, tem vida”
Thiago Bernardes

P: Fala-se que o tsunami diário de imagens está nos levando a uma fadiga visual. Você usa seu iPhone para fotografar profissionalmente?

FG: Já usei, sim, mas é raro. No entanto, os celulares são os meus blocos de notas. Ando com vários e fotografo o dia todo, com celular ou uma máquina com que trabalho ou passeio. Por exemplo, em São Paulo ou no Rio é a minha máquina de eleição. Não sinto fadiga, acho que se vive um momento único na história da fotografia, que ainda é curta. Com cada celular que é lançado, as pessoas fotografam mais e mais. Gosto de olhar o lado positivo. Hoje, fazem-se imagens incríveis a todo minuto do dia. Quem quiser se sobressair neste mar de gente fotografando, tem que se dedicar muito e fazer muito bem. Dá mais trabalho, mas também dará um prazer especial para quem chegar lá. E a recompensa é enorme.

P: Você testemunhou uma hemorragia na fotografia profissional depois do advento do smartphone? 

FG: Quem é bom, continua. O registro profissional será sempre uma resposta a um problema. A ferramenta – um smartphone, uma máquina instantânea ou um médio formato digital – não define o profissional ou o amador. O importante é o que se tem a dizer ou mostrar. Se um adolescente com celular fotografa melhor que um profissional com anos de carreira e uma batelada de equipamento, é sinal que o profissional precisa trabalhar mais ou fazer outra coisa, como, aliás, ocorreu com muitos que perderam o trabalho. Felizmente, hoje, isso acabou. Com talento, olho e gosto por aquilo que se faz, o resto vem. É muito saudável a democratização do acesso ao equipamento destes últimos anos.

P: Como vê o mercado internacional da fotografia de arquitetura?

FG: Interessante como uma atividade que não era exatamente essencial, mas que passou a ser central à comunicação da arquitetura contemporânea.

P: Conte-nos um pouco sobre sua colaboração com o grande mestre Álvaro Siza.

FG: Antes da colaboração com Siza, eu já havia fotografado vários projetos seus para meu bel-prazer – aliás, como fazem muitos fotógrafos. A obra do Siza é bela, fotogênica, rende grandes imagens. Em 2005, surgiu o convite para fotografar uma obra sua na Coreia do Sul – seu primeiro projeto na Ásia e meu primeiro teste com ele. Era um pequeno pavilhão de exposições nos arredores de Seul. O tempo estava terrível, chuvoso. Mas foi um sucesso: Siza gostou muito e a imprensa internacional adorou. A revista “Wallpaper*” premiou o projeto e a revista italiana “Casabella” pôs na capa. A colaboração com Siza tornou-se central à minha carreira. Já fiz livros com diversas editoras, como Taschen e Phaidon, e inúmeras exposições sobre o trabalho do Siza. Foram imagens minhas de projetos dele que o MoMA de Nova York adquiriu para o acervo. Já fotografei mais de 80 obras do Siza e continuo a acumular novas no portfólio.

P: Qual a lição que você tira de sua relação com esse gênio da arquitetura contemporânea?    

FG: Com o Siza, aprende-se a ser humilde, natural, generoso e gentil com todos. Ele reforça tudo aquilo no qual acredito: entrega total no trabalho e simpatia sempre, com todos, independentemente do sucesso que temos. Deveria ser sempre assim, mas os egos se metem no meio… Desde 2009, acompanho-o em viagens. Foi assim quando ele recebeu a medalha por sua carreira das mãos da rainha de Inglaterra – testemunhar aquele momento foi, para mim, uma enorme honra. A última viagem à Ásia com ele foi um mês de aventuras pela China e por Taiwan. Tenho um bom portfólio de imagens do Siza a passeio, a desenhar, a trabalhar que, em breve, estarão em um livro.

À direita, projeto de Isay Weinfeld nomeado Picadeiro, localizado na Fazenda Boa Vista. À esquerda, a Casa Redux, projeto de Marcio Kogan em Bragança Paulista, São Paulo.

Museu do Surf em Biarritz, França.

P: Vamos a Portugal: além do Siza, há um punhado de arquitetos magistrais na terrinha.   

FG: A arquitetura portuguesa segue uma onda global, em que é muito difícil diferenciar daquilo que se faz no resto do mundo. A globalização, a difusão de novos projetos a cada cinco minutos, fez diluir algumas das características antes vistas como portuguesas. Além do Siza, temos arquitetos como o Eduardo Souto Moura, que influenciaram uma legião de novos profissionais portugueses e estrangeiros. Hoje, temos Carrilho
da Graça, Aires Mateus, Carlos Castanheira e escritórios como ARX Portugal e Promontório Arquitetos que possuem uma linguagem própria que finca na paisagem edifícios singulares. Mas meus clientes não são apenas os consagrados – tenho muitos arquitetos jovens, que estão começando.

P: E como vê a arquitetura brasileira contemporânea?

FG: A arquitetura brasileira com a qual trabalho tira muito partido do clima, de um ambiente tropical, que passa pelos materiais, com o uso abundante de madeiras ou do concreto. É uma arquitetura que se relaciona intimamente com o entorno, com os jardins, a vista. Ela é sempre envolvente, seja uma casa no Rio, seja um apartamento com enormes varandas, como Isay Weinfeld fez, por exemplo, no Edifício 360º em São Paulo. Não tenho obras preferidas: tenho arquitetos especiais com quem trabalho e de quem gosto muito. Além do orgulho de confiarem a mim, um português que tem de ser importado do outro lado do Atlântico para essa importante tarefa. Tenho a sorte de trabalhar com Isay Weinfeld, Arthur Casas, Marcio Kogan, Fernanda
Marques, Thiago Bernardes, Triptyque, Paulo Jacobsen, entre outros.

P: Qual o peso da relação fotógrafo-arquiteto na imagem final?

FG: É tão importante quanto as próprias fotografias, e cresce de um objetivo comum: comunicar a obra. Quando as imagens são bonitas, o sentido de partilha e felicidade é incrível. Muitas vezes, a amizade nasce durante esse processo. Fotografei o primeiro projeto de muitos arquitetos e continuo a trabalhar com eles. Não tenho preferidos; na verdade, a variedade é grande e é disso que gosto. No entanto, todos têm em comum uma enorme dedicação e o fato de acreditarem 100% na arquitetura, profissão nada fácil de exercer e que o sucesso, muitas vezes, não tem a ver com a quantidade de esforço investido no projeto. É difícil gerir tantos problemas que uma obra apresenta mas, por isso mesmo, o sucesso, quando acontece, é mais saboroso. 

P: E a questão da luz?

FG: As melhores imagens são, geralmente, resultado do acaso, onde a luz tem um papel primordial. É o elemento mais importante numa fotografia. A luz cria o cenário e, só depois de fotografar, me preocupo com a arquitetura, as pessoas, a paisagem. Como a luz natural é um fator que não controlo, aprendi a importância de dar a ela o tempo que ela necessita – às vezes um dia inteiro para captar aquele momento decisivo e que dificilmente se repete.

P: Algum país que seu olhar ainda não explorou?

FG: Gosto da variedade, não tenho países especiais. Gosto de começar uma viagem – como fiz há uns dias – pela China, passar por Taiwan e ainda ir à Coreia do Sul fotografar. A variedade de clientes e obras me diverte.

P: E a Coreia do Norte? Nunca se sentiu atraído pela grandiosidade de sua arquitetura oficial? Ou só de pensar dá uma baita indigestão?   

FG: Fico feliz por fotografar muito na Coreia do Sul. Gosto da liberdade e de fotografar o que gosto, quando quero. Se me sinto controlado, prefiro baixar a máquina. Gostaria de fotografar na Coreia do Norte – seria como ter uma máquina do tempo – mas prefiro fazê-lo quando for uma Coreia livre. Vou aguardar, tenho tempo!

P: Entre outros disparates, o intemperado Trump também inspira seus seguidores com o desvario de sua estética delirante neo-Versalhes de suas propriedades. Nunca bateu em você vontade de registrar ambientes atolados no mau gosto?

FG: Já fiz muitas sessões em ambientes que não são os meus. Não tenho de gostar de tudo o que faço, só tenho de fazer bem e passar a mensagem do que é. Seria impossível só fotografar o que gosto, mesmo que seja o que faço a maior parte do tempo. Todos os clientes merecem a mesma entrega. Meu gosto não é essencial para fazer o trabalho melhor ou pior.

P: E a fotografia perfeita, qual é?

FG: A que persigo todos os dias da minha vida.

O trabalho do Fernando nos emociona, da mesma forma que buscamos alcançar nossos clientes. Além de o talento aplicado ser evidente e cristalino, existe ainda um fator que claramente aproxima a visão de ambas as partes quanto ao ofício. O trabalho apresentado nos toca justamente pelo ‘trabalho que deu’ em si. A atenção, cuidado, carinho, esmero e interesse – pelo e para o resultado. Seu trabalho é incrível, e a dedicação, insuperável. Para nós, que atuamos arduamente por anos para que uma casa seja concluída, é um privilégio de rara aparição entregar nosso acervo aos cuidados do Fernando. Ele entende o projeto como nós o fazemos, e por isso lhe agradecemos enormemente
Paulo e Bernardo Jacobsen


Projeto da Shihlien Chemical Industrial Park Office, em Jiangsu, China, por Álvaro Siza e Carlos Castanheira.

Expo Zaragoza no Pavilhão de Portugal, 2008
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