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Porém, já nascemos livres

Livro de arte traz fotos inéditas que celebram a montação pop/fashion/clubber/politizada dos DJs Johnny Luxo + Zé Pedro: “É um exercício sobre liberdade”, sentenciam

Brilhos, paetês, néons, furta-cores, moicanos, tattoos, piercings, electro-beats, customização, abravanação, montação. Quem não viveu na pele a cena clubber do comecinho dos anos 1990 no Brasil, talvez não entenda a importância do movimento que desconfigurou paradigmas e sacudiu para sempre as estruturas da indústria da moda mirando os holofotes com força sobre o público LGBTQ+. Derivado da cultura jovem em destinos efervescentes como Londres e Nova York (pense em Amanda Lepore, James St. James, Lady Bunny e Leigh Bowery), aportou no Brasil com um jet lag por conta, é claro, das nossas fronteiras blindadas – vivemos no atraso de uma ditadura militar entre 1964 e 1985, gente –, mas, tão logo adentrou, fincou raiz forte na terra fértil feita de jovens sedentos por novidades. A estética eclética, marcada sobretudo pela redefinição de gêneros, androginia, teatralidade e desintegração de padrões normativos/conservadores da sociedade, aderiu ao underground paulistano, onde a diversidade imperava e a lei era “se montar” – termo geralmente associado a drag queens, que se vestem do sexo oposto, mas que, a partir do contexto clubber, ganhou significados mais amplos e politizados. Para Ru Paul, por exemplo, ícone mais célebre dessa cultura, “qualquer um que esteja do lado de fora da sociedade mainstream tem uma perspectiva diferente. Quem viveu às margens da sociedade (como os gays) entende que o que está dentro da caixa é um engano, aliás, uma grande ilusão. Nós todos nascemos nus, o resto é montação”. Dinamites no paiol, o gaúcho José e o paulistano João, aka Zé Pedro e Johnny Luxo, apresentam o livro homônimo que traz uma bateria de fotos em que o duo encarna emblemas da música, das artes plásticas, da moda e da cultura pop. “Começou com uma brincadeira em 2017, quando o Zé me chamou para tocar com ele na festa Avec Elegance, do Club Jerome”, conta Johnny, que hoje é integrante fixo no comando das pick-ups que movimentam a região da Consolação todas as sextas à noite. Planejadas originalmente para servir de divulgação das festas da dupla, as imagens ultracriativas passaram a estampar seus flyers nas redes sociais – com um nome menos gourmetizado, esses panfletos bombavam nos 1990s e eram a principal mídia de pulverização de festas/rega-bofes. “Quando percebemos, tínhamos volume o suficiente para um livro. A partir disso, fizemos ensaios com fotógrafos, maquiadores e stylists que a gente admira, sem amarras. É um exercício sobre liberdade”, finaliza Johnny. Com direção criativa de Eduardo Dugois, “José e João” (Editora Lustre, R$ 60) reúne, em 116 páginas, cliques com recriações inusitadas e encontros interessantes entre personagens ilustres do showbiz. A tiragem é limitada. Quem é lynda, é linda! 

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